Gengee Technology Co., Ltd.

Rastreando a inovação no esporte: a propriedade intelectual dentro e fora do campo

, Chede de Análise de PI, OMPI

19 de Agosto de 2026

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Da mesma maneira que a análise do desempenho ajudam as equipes a entenderem melhor seu jogo, a análise da propriedade intelectual ajuda os elaboradores de políticas, as empresas e os pesquisadores a entenderem como a tecnologia evolui. Christopher Harrison, chefe da Seção de Análise de PI da OMPI, examina as tendências reveladas pelo Relatório SPARK da OMP sobre a Tecnologia Esportiva, publicado este ano.

Quando se fala em esporte, pensamos logo em competições, conquistas atléticas e eventos mundiais. Porém, por trás de cada recorde que é quebrado, de cada decisão de arbitragem contestada e de cada nova experiência dos fãs, existe algo menos visível: a inovação.

Dos avançados materiais utilizados na fabricação dos equipamentos e trajes esportivos até os sensores vestíveis que monitoram a fisiologia dos atletas, a tecnologia está transformando cada vez mais a forma como se praticam, regem e vivenciam os esportes. Além disso, a análise de dados, as plataformas digitais e as tecnologias assistivas constituem hoje fatores de desempenho, tanto quanto a habilidade física.

O esporte está evoluindo. As patentes, as marcas e os desenhos industriais fazem bem mais do que proteger as invenções, as marcas e os designs dos produtos. Juntos, esses direitos de propriedade intelectual (PI) formam um vasto conjunto de dados que revela onde está acontecendo a inovação, quem a está impulsionando e como as tecnologias se desenvolvem ao longo do tempo.

Da intuição aos dados

Não muito tempo atrás, era a intuição que servia de base para as decisões tomadas na área do esporte profissional. Os caçadores de talentos confiavam em seus instintos, os treinadores baseavam-se na experiência e os jogadores eram avaliados tanto pelo potencial percebido como pelo desempenho mensurável. Contudo, nos últimos 25 anos, têm se tornado cada vez mais evidentes as formas como os dados esportivos questionam convenções, revelam oportunidades escondidas e transformam o processo de tomada de decisões.

Em 2002, Billy Beane, o treinador da equipe Oakland Athletics, da Major League Baseball, nos Estados Unidos, utilizou análises estatísticas para escalar um time competitivo com um orçamento limitado. Em vez de se basear apenas nas avaliações tradicionais de observação, ele focou-se em indicadores de desempenho desprezados para identificar os jogadores cujo verdadeiro valor era subestimado por outros. A história de “Moneyball” ("O Homem que Mudou o Jogo") – que se tornou um best-seller em 2003 e foi adaptado, em 2011, para o cinema estrelando Brad Pitt – demonstrou que desempenho, valor e vantagem competitiva podem ser mensurados rigorosamente e revelar informações que contradizem pressupostos arcaicos.

Entre 2016 e 2025, o setor do esporte gerou mais de 1,25 milhão de registros de marcas

Hoje, a análise de dados permeia todos os aspectos do esporte: as equipes ajustam suas táticas utilizando dados de desempenho em tempo real; os atletas monitoram a carga de treinamento, o tempo de recuperação e o risco de lesões por meio de dispositivos vestíveis; e os fãs participam por meio de estatísticas avançadas, ligas de fantasy e transmissões cada vez mais ricas em dados.

Os dados são hoje um ativo estratégico. Pode-se dizer o mesmo da inovação. Os registros de PI podem destacar a inovação e explicar como as tecnologias estão passando do conceito para o mercado. Quando analisados sistematicamente, os dados de PI passam a ser uma ferramenta potente para o rastreamento da própria inovação.

O que os dados revelam

Entre 2016 e 2025, mais de 65.700 invenções relativas a tecnologias esportivas foram divulgadas em famílias de patentes publicadas em todo o mundo. No mesmo período, o setor do esporte gerou mais de 1,25 milhão de registros de marcas e cerca de 70.000 depósitos de desenhos industriais.

As taxas de crescimento são ainda mais eloquentes. As patentes de tecnologia esportiva aumentaram a um taxa anual composta de 7,6%, enquanto o aumento das patentes em geral foi de 4,4%.

A atividade comercial apresenta um padrão semelhante. As marcas relacionadas com o esporte crescerem 6,1% por ano, quase o dobro da taxa de crescimento de 3,4% das marcas em todas as áreas.

O crescimento relativo mais elevado é observado nos depósitos de desenhos industriais, que registraram um aumento anual de 8,3% na área do esporte, e de 4% levando-se em conta todos os setores.

Essas tendências, quando analisadas em conjunto, sugerem que o esporte não está simplesmente acompanhando, mas ultrapassando o ritmo da inovação global no que diz respeito à invenção, comercialização e design de produtos.

Os dados de PI revelam também que a inovação difere de um esporte para outro. O golfe, por exemplo, lidera em patentes de tecnologia esportiva, com quase 19.000 invenções publicadas desde 2016. Seguem-no a natação, os esportes de raquete, o basquete e o futebol.

O golfe tem uma forte presença entre os titulares de patentes no setor da tecnologia esportiva. Grandes marcas de golfe, como a Titleist, a Srixon e a Ping, figuram ao lado de empresas mundiais de vestuário esportivo, inclusive a Nike e a Adidas.

Os dados referentes aos desenhos industriais contam outra história. Neste caso, os setores de academias e condicionamento físico dominam em número de depósitos, refletindo a importância do aspecto estético do produto, da ergonomia e do apelo do consumidor para equipamentos e vestuário de condicionamento físico.

Como a prática de esportes recreativos e treinos de condicionamento físico pessoal vem expandindo-se pelo mundo todo, o design tornou-se um importante diferenciador competitivo.

A natação é outro caso que de destaque, ocupando a segunda posição em patentes e marcas, e a terceira em desenhos industriais, o que faz desse esporte um dos mais fortes em todas as principais formas de PI.

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OMPI, com base nos dados sobre patentes e desenhos industriais do Patsnap e nos dados do Global Brand Database, janeiro de 2026
Observação: O somatório das patentes representa o número de famílias de patentes publicadas (como variável indireta para o número de invenções).

Isto reflete um ecossistema de inovação diverso que se estende para além da competição, passando pelos trajes de alto desempenho, óculos de natação, equipamentos para piscinas, acessórios de treinamento e produtos recreativos. Na natação, como na área do condicionamento físico, o desempenho técnico, a força de marca e o design de produto definem a competição no mercado.

A inovação esportiva mundial

A geografia da inovação esportiva espelha os padrões globais mais vastos no campo da atividade de PI. A Ásia lidera no nível mundial em patentes e desenhos industriais relacionados com o esporte, reflexo da forte base manufatureira e do crescente desenvolvimento do investimento em tecnologia, na região.

Já a Europa se destaca na atividade de marcas. Isto reflete provavelmente o denso ecossistema, na região, de clubes esportivos, marcas e agentes comerciais, assim como suas muitas jurisdições, que, embora menores, são altamente ativas.

As empresas de tecnologia, plataformas de mídia e marcas de entretenimento estão definindo as formas como se comercializa esporte

No nível nacional dominam diferentes esportes. As patentes relacionadas com o golfe são particularmente predominantes nos Estados Unidos, Japão e República da Coreia; as tecnologias para os esportes de raquete prevalecem especialmente na China, impulsionadas pelas patentes para badminton e tênis de mesa;

enfim, as patentes relacionadas com o futebol se destacam notadamente na Alemanha, que abriga a sede da Adidas e é uma das nações mais fortes do mundo no futebol.

Os dados relativos às marcas refletem também o alcance comercial mundial do esporte. Devido ao fato de que as grandes empresas internacionais registram marcas em várias jurisdições, para gamas consideráveis de produtos e serviços, elas predominam entre as titulares de marcas relacionadas com o esporte.

Algumas delas podem até surpreender. Ao lado de organizações esportivas como as estadunidenses NBA (National Basketball Association) e WWE (World Wrestling Entertainment), e a cadeia francesa de lojas de artigos esportivos Decathlon, estão empresas como a Disney, a Apple e a Amazon.

A presença da tecnologia e das empresas de entretenimento ressaltam como a economia do esporte se expandiu muito além da própria competição. Quer se trate da transmissão de eventos esportivos da Disney, quer se trate do ecossistema digital de condicionamento físico da Apple, ou ainda do investimento da Amazon no streaming de esportes ao vivo, a economia do esporte agora engloba mídia, streaming, serviços digitais, merchandising, engajamento de fãs e muito mais.

Em outras palavras, as empresas de tecnologia, plataformas de mídia e marcas de entretenimento estão transformando cada vez mais a forma como o esporte é consumido e comercializado.

Os dados e os equipamentos inteligentes

Um dos sinais mais evidentes nos dados de PI é o aumento dos equipamentos esportivos inteligentes. Os sensores, a conectividade e a análise integrada estão transformando os equipamentos tradicionais em sistemas inteligentes capazes de captar dados detalhados sobre o desempenho.

Em futebol, basquete, rúgbi e críquete, os equipamentos integrados com sensores inerciais conseguem medir a velocidade, giro, trajetória e características de impacto da bola. Essas tecnologias podem servir de apoio no treinamento dos atletas, possibilitar uma análise do desempenho mais detalhada e até mesmo auxiliar nas decisões da arbitragem.

A empresa chinesa Gengee Technology Co., Ltd. desenvolveu um sistema de bola inteligente patenteado para captar dados detalhados de movimento e posicionamento durante o jogo. Nas palavras de Weidan Chen, presidente e diretor executivo da Gengee Technology: “A vitória no esporte decide-se em milissegundos; na tecnologia, os avanços definem-se em patentes.

“Na Gengee, protegemos nossas principais inovações para transformar cada passe e cada corrida no campo numa linguagem baseada em dados que fortalece a indústria do esporte.”

Uma das patentes da Gengee é uma bola equipada de um sensor inercial de seis eixos, uma unidade de microcontrole, um módulo de comunicação sem fio e armazenamento integrado de dados. O sistema coleta dados ligados ao movimento e registra o momento exato de cada movimento antes de transmitir as informações aos dispositivos móveis ou servidores na nuvem para serem analisados.

Associando dados de sensores com sistemas de posicionamento sem fio, a tecnologia consegue reconstituir a trajetória da bola e seus padrões de movimento com alta precisão. Os resultados podem ser utilizados para analisar a técnica, medir o desempenho e definir métodos de treinamento mais baseados em dados.

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Gengee Technology Co., Ltd.
O sistema de bola inteligente da Gengee Technology tem a capacidade de captar dados detalhados do movimento e posicionamento da bola.

É improvável que tecnologias como essas fiquem restritas aos esportes de elite. À medida que os sensores forem ficando menores, mais baratos e mais integrados nos equipamentos do dia a dia, as tecnologias esportivas conectadas vão direcionar-se cada vez mais para a prática esportiva popular.

É possível que, em breve, os jovens jogadores de clubes locais utilizem bolas inteligentes, caneleiras com sensores ou raquetes conectadas que monitoram estatísticas fundamentais e oferecem feedback por intermédio de aplicativos móveis.

Em muitos aspectos, isto espelha aquilo que já se vê no setor de consumo do condicionamento físico. Ao longo da última década, os dispositivos vestíveis que monitoram distância, frequência cardíaca, sono e outros indicadores se tornaram rotineiros em atividades como corrida, ciclismo e treino recreativo.

Examinando os padrões nas áreas de patentes, marcas e desenhos industriais, podemos desvendar como as indústrias evoluem com o tempo

Os dados de PI servem também para constatar a inovação em áreas mais especializadas, como os paraesportes.

Neste caso, o papel das instituições acadêmicas de pesquisa é particularmente visível. Cerca de 26% das patentes relacionadas com os paraesportes têm origem em universidades ou instituições de pesquisa, ao passo que, quando se trata de tecnologias esportivas em geral, esse número cai para 17%.

Isto aponta para um ecossistema de inovação mais intensivo em pesquisa, refletindo tanto a complexidade técnica das tecnologias assistivas como a importância da pesquisa pública no apoio ao esporte inclusivo.

Os equipamentos assistivos de esporte, as próteses, as cadeiras de rodas adaptativas e as tecnologias de reabilitação surgem com frequência a partir de colaborações entre pesquisadores, engenheiros e atletas.

Essas inovações podem expandir de forma significativa a participação no esporte, gerando ao mesmo tempo benefícios mais gerais para tecnologias de saúde e mobilidade.

Ver a inovação mais nitidamente

O esporte vivencia-se em seus momentos mais emocionantes: um gol no último minuto, um recorde de corrida ou nado, um arremesso que decide a vitória em um campeonato. Esses instantes de brilhantismo constituem a superfície visível de um sistema muito maior de progresso tecnológico. A análise de PI ajuda-nos a ver esse sistema mais nitidamente.

Examinando os padrões nas áreas de patentes, marcas e desenhos industriais, conseguimos desvendar como surgem as ideias, como as tecnologias convergem, como as indústrias evoluem com o tempo, e como a inovação se difunde desde os ambientes de desempenho de elite para aplicações comerciais e de consumo mais amplas.

Revela também as conexões que são fáceis de ignorar quando se foca apenas nos dados de desempenho; por exemplo, como os avanços na ciência dos materiais, a tecnologia de sensores ou as plataformas digitais fluem do esporte para setores adjacentes como a saúde, o condicionamento físico e o entretenimento

Visto sob estes prisma, o esporte passa a ser muito mais do que competição e entretenimento. É também um laboratório dinâmico para a inovação tecnológica, que ganha forma não apenas dentro do campo, mas também nos laboratórios de pesquisa, oficinas de engenharia e estúdios de design em todo o mundo.

Para explorar essas tendências em mais detalhes – inclusive a análise das patentes esporte por esporte, para golfe, futebol, esportes de raquete, críquete e natação, bem como os estudos de caso sobre equipamentos inteligentes, dispositivos vestíveis e sistemas de rastreamento de bola – consulte o Relatório SPARK da OMPI sobre a Tecnologia Esportiva.

Pode também aprender mais sobre inovação no setor de academias e condicionamento físico ou conferir a edição especial sobre esporteda Revista da OMPI.