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Prêmio Nobel de 2025: os mais de 200 pedidos PCT por trás dos avanços científicos

Na Li, jovem especialista, Divisão Jurídica e de Relações com os Usuários do PCT, OMPI

16 de Janeiro de 2026

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Os ganhadores do Nobel 2025 vinham depositando pedidos de patente muito antes de vencerem a premiação deste ano. Conheça os inventores que estão revolucionando as técnicas de captação de água atmosférica, a física quântica e o nosso entendimento sobre a função imunológica.

As inovações homenageadas com os prêmios Nobel de física, química e medicina de 2025 ajudam a extrair água do ar do deserto, a decodificar a regulação do sistema imunológico e a mostrar a inusitada dinâmica da mecânica quântica.

Os argutos inventores por trás desses avanços depositaram mais de 200 pedidos de patente nos termos do Tratado de Cooperação em matéria de Patentes (PCT) e, em muitos casos, fizeram isso vários anos antes de obter o reconhecimento do Nobel em suas respectivas áreas. Neste artigo, a Revista da OMPI aborda essas inovações e as patentes que elas geraram, usando a base de dados PATENTSCOPE da OMPI como fonte de informações.

Com química a vida fica melhor

O prêmio Nobel de química de 2025 foi concedido a Susumu Kitagawa, Richard Robson e Omar M. Yaghi por seu trabalho com blocos de construção molecular para estruturas metalorgânicas (MOFs).

Segundo a Academia Real de Ciências da Suécia, as MOFs são como “espaçosos apartamentos do tipo estúdio, especificamente atraentes para as moléculas de água (entre outras)”.

Graças ao trabalho desses três cientistas, que teve início há décadas, químicos do mundo inteiro puderam criar dezenas de milhares de MOFs. Atualmente, essas estruturas ajudam a capturar dióxido de carbono, armazenar gases tóxicos e liberar medicamentos no interior do organismo dos pacientes, entre outras “maravilhas químicas”, de acordo com a descrição do comitê do Nobel.

A variedade de usos se reflete nos pedidos de patente. As MOFs são uma área técnica que desperta grande interesse na busca de proteção de patente, com mais de 14 mil pedidos de patente relacionados só na base de dados PATENTSCOPE. A maior parte dos pedidos de patente relacionados com MOFs parece ter origem na China, nos Estados Unidos, na República da Coreia, em países europeus e no Japão.

Kitagawa, Robson e Yaghi estão entre os inventores que vêm ativamente buscando patentear suas invenções relacionadas com MOFs.

À procura de novas estruturas

Inspirando-se na estrutura dos diamantes, Robson, que nasceu no Reino Unido, começou a refletir sobre o conceito que daria forma às MOFs em 1974, quando era professor da Universidade de Melbourne, na Austrália. No entanto, seriam necessários mais de dez anos para que ele criasse uma estrutura de cristal baseada na arquitetura dos diamantes.

Robson publicou seus resultados em 1989. Mas foram as descobertas revolucionárias de Kitagawa e Yaghi, realizadas entre 1992 e 2003, que forneceram uma base sólida ao método construtivo de Robson.

Kitagawa, um químico japonês especializado em química de coordenação, começou a buscar o patenteamento de seu trabalho em 1996 e tem usado ativamente o PCT desde 1997. Dos mais de 40 depósitos PCT de Kitagawa, quatro referem-se à sua estrutura de MOF aperfeiçoada.

Robson também continuou trabalhando e desenvolvendo invenções. Um pedido de patente digno de nota que foi depositado recentemente envolvendo Robson é o PCT/AU2017/050727, referente a métodos de captura e armazenamento de anestésicos com o uso de estruturas metalorgânicas. Os anestésicos gasosos evaporam, expondo os profissionais envolvidos. Segundo a descrição do pedido de patente, a MOF visa reduzir os riscos e tornar a administração desses anestésicos muito mais precisa.

Susumu Kitagawa, Omar M. Yaghi e Richard Robson posam em pé, sorrindo, em um abraço amistoso diante do pano de fundo de um auditório.
Nobel Prize Outreach. Foto: Nanaka Adachi
Da esquerda para a direita: os três ganhadores do Nobel de química de 2025, Susumu Kitagawa, Omar M. Yaghi e Richard Robson, depois de proferirem suas conferências do Nobel, em 8 de dezembro de 2025, no auditório Aula Magna, da Universidade de Estocolmo.

Trabalhando separadamente, mas em paralelo com os colegas, Yaghi talvez seja o inventor mais prolífico entre os laureados do Nobel, além de ser um usuário ativo do sistema PCT.

Tendo nascido na Jordânia e estudado nos Estados Unidos, onde fez sua carreira acadêmica, Yaghi cunhou o termo “estrutura metalorgânica” em um artigo que ele publicou na Nature em 1995, depois de criar uma MOF extremamente estável, que funcionava como uma rede unida por cobre e cobalto.

Atualmente, mais de 350 pedidos de patente o listam como inventor, com 72 pedidos de patente depositados pelo sistema do PCT. Entre os mais antigos há um pedido (PCT/US2002/013763) depositado em 2002, referente a uma MOF com implicações para o armazenamento de gases. O cientista tem buscado proteção de patente na Austrália, na Espanha, no Canadá, na Áustria, no Japão, nos Estados Unidos e na Alemanha.

Um de seus pedidos mais recentes, depositado em 2024 e publicado em abril deste ano (PCT/US2024/050115), diz respeito a estruturas orgânicas covalentes que visam a captação de água na atmosfera – uma invenção com potencial para transformar áreas desérticas em jardins.

Saltos quânticos na física

O prêmio Nobel de física de 2025 foi concedido a John Clarke, Michel H. Devoret e John M. Martinis por seus experimentos em física quântica. Como observa a Academia, os laureados realizaram experimentos em chips para “demonstrar as propriedades inusitadas do mundo quântico”. Seu trabalho é considerado fundamental para o desenvolvimento da próxima geração de tecnologias quânticas, como a criptografia quântica, os computadores quânticos e os sensores quânticos.

Os experimentos remontam a 1984 e 1985, tendo sido realizados no campus de Berkeley da Universidade da Califórnia. E tão logo tiveram início os experimentos, os três cientistas começaram a depositar pedidos de patente relacionados com suas descobertas.

Mais recentemente, 20 pedidos depositados via PCT – em sua maioria tendo a Universidade de Yale como depositante – indicam Devoret como inventor. Como exemplo, uma das invenções de destaque atribuídas a Devoret, o pedido PCT/US2019/012441 , relativo a operações tolerantes a falhas e eficientes em hardware com circuitos supercondutores, teve sua proteção estendida para Canadá, Singapura, Estados Unidos, China, Japão, Instituto Europeu de Patentes e República da Coreia. No período de 2017 a 2013, foram depositados 16 pedidos via PCT em que Martinis figura como inventor, a maioria dos quais tendo a Google como depositante. Por exemplo, o pedido PCT/US2016/032917, relativo à estimativa de fidelidade para sistemas de computação quântica, foi depositado pela Google e indica Martinis como inventor principal. Esse pedido teve a proteção de patente estendida a mercados estratégicos, como Austrália, Canadá, Estados Unidos, Instituto Europeu de Patentes, Japão, Singapura e China.

Os avanços na medicina e a proteção de patente

A medicina é uma área caracterizada por alta atividade de patenteamento. Os ganhadores do Nobel de fisiologia ou medicina de 2025, Mary E. Brunkow, Frederick J. Ramsdell e Shimon Sakaguchi, foram premiados por suas pesquisas sobre o mecanismo conhecido como “tolerância imunológica periférica”, que impede que o sistema imunológico ataque o próprio organismo.

Segundo a Academia, o “trabalho [dos três cientistas] lançou as bases para a constituição de uma nova área de pesquisa e impulsionou o desenvolvimento de tratamentos para câncer e doenças autoimunes”. Como seria de esperar, suas descobertas resultaram em intensa atividade de patenteamento.

Os laureados com o Nobel de fisiologia ou medicina de 2025 usam ativamente o sistema PCT. Brunkow depositou sete pedidos PCT desde 1999, buscando proteção em várias jurisdições da Ásia, da Europa e da América do Norte. Dois desses pedidos também têm como requerente Ramsdell, que consta em outros sete depósitos PCT, ao passo que Sakaguchi é listado como requerente em 25 pedidos , tendo recorrido continuamente ao sistema PCT desde 1997 para obter proteção de patente em diversos países.

Pedidos de destaque incluem o PCT/US2002/015897, referente a um método para a regulação da função imunológica em primatas usando a proteína FOXP3; o PCT/US1999/018407, relativo à identificação do gene causador do fenótipo scurfy em camundongos e de seu ortólogo humano; e o PCT/US2006/018540, que diz respeito a métodos de utilização do pHHLA2 para a coestimulação de células T. Todos esses pedidos estão diretamente relacionados com as descobertas que valeram o Nobel aos cientistas.

As trajetórias dos ganhadores do Nobel deste ano mostram como os arranjos institucionais que privilegiam a colaboração e a busca de proteção aceleram a jornada que vai das descobertas ao impacto no mundo real. O sistema PCT possibilitou que os vencedores do Nobel de 2025 buscassem proteção para suas invenções em diversas jurisdições, garantindo ao mesmo tempo que o conhecimento gerado por eles seja compartilhado com os futuros laureados.

Todos os dados de patentes mencionados no artigo foram consultados através da base de dados PATENTSCOPE da OMPI, com buscas por nome de inventor e composto químico realizadas em novembro de 2025. Informações adicionais sobre os laureados e suas pesquisas foram obtidas na imprensa e detalhes mais específicos foram coletados nas páginas do site da Fundação Nobel .