A crise climática não é apenas motivo de desalento e pessimismo: ela também traz oportunidades. O Acordo de Paris expôs o problema com senso de urgência e metas claras, como reduções profundas nas emissões de gases de efeito estufa e uma rápida transição para sistemas de baixo carbono. Essas metas servem como um roteiro.
Nesta minissérie Inovação com Impacto, conhecemos três pequenas e médias empresas (PMEs) que vêm seguindo esse roteiro. Finalistas dos Prêmios Mundiais da OMPI 2025, essas PMEs mostram como inovação e estratégia de PI podem caminhar lado a lado para escalar tecnologias voltadas a soluções climáticas e transformá-las em negócios sustentáveis.
Recentemente, traçamos o perfil da Baniql, empresa dedicada à produção sustentável de níquel que integrou a propriedade intelectual (PI) ao seu plano de negócios, e da chinesa Carbon One, startup pioneira no setor de baterias que já depositou mais de 350 pedidos de patente. Agora, voltamos nosso olhar para Reykjavík, na Islândia, onde uma empresa de captura de carbono oferece lições sobre proteção patentária, registros internacionais de marca e muito mais.
Tecnologia de sequestro de carbono
Fundada em meados dos anos 2000, a Carbfix transforma carbono capturado em pedra. Seu processo patenteado reproduz uma reação natural que normalmente levaria milênios, concluindo-a em apenas dois anos. A Carbfix captura CO2, dissolve-o em água e injeta a solução em formações subterrâneas de rocha basáltica. Ali, o CO2 reage com minerais como cálcio e magnésio, formando rocha carbonática sólida.
“Uma vez injetado no subsolo, praticamente não há risco de vazamento do CO2”, afirma Edda Sif Pind Aradóttir, CEO da empresa. “No fim, ele se transforma em pedra, eliminando a necessidade de monitoramento de longo prazo.” Ao contrário do armazenamento convencional de carbono, que pode exigir monitoramento por um século, o CO2 mineralizado pela Carbfix fica, na prática, permanentemente retido.
Para a Carbfix, proteger seus processos por meio da propriedade intelectual (PI) era tão crucial quanto as próprias inovações. Desenvolver avanços decisivos é apenas metade da batalha. Protegê-los é igualmente importante.
A estratégia da Carbfix de patentear desde cedo sua tecnologia de captura e armazenamento de carbono
Assim como na Baniql e na Carbon One, a liderança da Carbfix vê a PI como fonte de valor e adota uma abordagem de “patentes em primeiro lugar”: depositar cedo e com frequência. A Carbfix conta com uma política global de PI e um comitê interno que se reúne para identificar invenções patenteáveis na etapa de pesquisa e desenvolvimento (P&D). Até o momento, a empresa mantém oito famílias de patentes que abrangem seus processos centrais. Uma de suas patentes mais importantes, relativa ao processo de dissolver CO2 em água e injetá-lo na rocha, foi depositada em mais de 30 países, refletindo a relevância global da tecnologia da empresa. A Carbfix também figurou como depositante em quatro pedidos apresentados nos termos do Tratado de Cooperação em matéria de Patentes (PCT) entre 2020 e 2025.
De modo geral, a Carbfix prefere proteger suas inovações mais relevantes por patente, e não por segredo comercial. “Se mantivéssemos nossos maiores avanços em sigilo, correríamos o risco de vazamentos”, afirma Aradóttir. “É por isso que patenteamos nossas inovações mais relevantes. Mesmo que isso implique revelar detalhes técnicos, ganhamos proteção jurídica e direitos exclusivos.”
A empresa também protege sua marca por meio de registros internacionais — essenciais para consolidar seu nome como referência no setor de remoção de carbono. Essa abordagem também fortalece sua posição perante os investidores. “Os investidores costumam perguntar sobre nossa estratégia de PI”, diz Bergur Sigfússon, diretor de sistemas da Carbfix. “Um portfólio sólido de patentes demonstra nosso profissionalismo e nossa capacidade técnica.”
Lições sobre PI para inovadores
Assim como a Baniql e a Carbon One, a Carbfix tem muito a ensinar sobre como pequenas e médias empresas (PMEs) devem encarar a PI, sobretudo como um investimento estruturante — e não como algo para se pensar depois.
“Proteja sua PI desde já”, diz Gudmundur Reynaldsson, gerente de PI da Carbfix. “Patentes e marcas agregam valor à empresa e comprovam a titularidade de sua tecnologia. Além de ajudar a prevenir violações, elas também reforçam a credibilidade da empresa perante os investidores.”
A empresa de Reykjavík fez da propriedade intelectual um pilar de seu desenvolvimento, em parte ao adaptar sua estratégia de depósitos internacionais aos mercados prioritários — regiões cuja geologia favorece a aplicação de seus processos. Essa abordagem direcionada ajuda a Carbfix a equilibrar proteção e custos.
Combinar inovação com uma gestão estratégica da PI pode gerar impacto climático real, como mostram Baniql, Carbon One e Carbfix.
“Não podemos esperar milênios até que a natureza retenha nosso carbono”, diz Aradóttir. “Por isso, estamos ajudando esse processo desde já.” Essa mentalidade une essas iniciativas e mostra que, com a tecnologia certa e uma estratégia sólida de PI, startups e PMEs podem enfrentar desafios climáticos e dar escala a soluções com rapidez.
A empresa apresentada neste artigo foi uma das finalistas dos Prêmios Mundiais da OMPI 2025. Selecionados entre um número recorde de 780 candidaturas de 95 países, os 10 vencedores exemplificam como a PI pode ser usada de forma estratégica para ampliar soluções para alguns dos maiores desafios do mundo. A chamada de 2026 está aberta para candidaturas até 31 de março. A iniciativa é voltada a PMEs, startups e empresas derivadas de universidades que usem a PI para gerar valor para seus negócios.